O coração dos atletas

  • 1, novembro, 2018

Pesquisas provaram que exercícios físicos moderados reduzem e previnem problemas cardíacos. Porém a atividade física vigorosa de atletas de elite, como em competições de endurance e sua repercussão cardíaca, é objeto de estudos permanentes.

Uma das razões é a morte súbita do atleta. Ela é rara, mas desperta comoção.

Uma das possíveis causas, entre várias outras, poderia ser uma arritmia cardíaca paroxística (fibrilação atrial) relacionada a intensos e contínuos esforços físicos.

Mas tão rara quanto os óbitos esportivos é a incidência da fibrilação atrial em atletas espanhóis de elite: cerca de 0,3%, segundo cardiologistas especializados em medicina esportiva.

Na revista médica Jama Cardiology de ontem a professora Araceli Boraita, da Agência Espanhola de Proteção da Saúde no Esporte, e colaboradores apresentaram os resultados de estudo com 6.813 atletas, dos quais 35% do sexo feminino.

Os atletas, com oito anos de tempo médio de participação em competições esportivas, submeteram-se a exames de eletrocardiografia e ecocardiografia no período de 1997 a 2017 (20 anos).

Os autores explicam que o aumento da pressão arterial nos exercícios de alta intensidade e a distensão da parede da câmara atrial cardíaca induzida pelo vigoroso exercício físico, pode resultar em microtrauma, inflamação e fibrose, que são arritmogênicos.

Como o átrio esquerdo pode fisiologicamente aumentar proporcionalmente às horas de treinamento ou nível de competição, recomendam acompanhar sua evolução em atletas jovens.

Julio Abramczyk
Médico, vencedor dos prêmios Esso (Informação Científica) e J. Reis de Divulgação Científica (CNPq).